NEI LISBOA

em casa e (ao) vivo

Em uma outra realidade de um país abençoado, onde não houvesse risco de colapso no sistema de saúde e as mortes sem notificação e sem teste para a covid-19 não se avolumassem, seria talvez vista como prioridade a assistência psíquica à população em geral. Sem falar nos diretamente vitimados e familiares ou nos profissionais da saúde, apenas a circunstância do confinamento, como uma prisão domiciliar sem segunda instância, já é bastante traumática para todos.


E ela se impõe, evidentemente, na luta contra uma peste cruel de transmissão assintomática, diagnóstico tardio, agressividade letal e sem tratamento específico. O caso do Equador, na província de Guayaquil, com um colapso do sistema funerário e o abandono de cadáveres nas casas e nas ruas, é o cenário mais sombrio e desolador que se possa imaginar, e espero que o futuro nos poupe dele por aqui.


Mesmo para quem vive em condições de moradia e sanitárias para um distanciamento efetivo, o dia a dia de fugir a uma contaminação que pode estar na maçaneta da porta, num botijão de gás ou qualquer pacote de tele-entrega, no chão, na mão ou no carinho de um parente é por si só uma tarefa insana. Some-se aí o esforço de sustento para os que não tem – ou arriscam deixar de ter – salário garantido, o estresse que o convívio prolongado pode provocar dentro das famílias, e o próprio paradoxo de uma atitude proativa e passiva em relação ao problema: proteger-se, a si e aos outros, é ao mesmo tempo e de certa forma se alienar do mundo, ficar plantado em casa enquanto um armagedon toma o centro da cidade.


Neste dois de abril de 2020, as curvas médias globais de contaminação e óbito são praticamente verticais, com cinco mil mortos diários e dobrando esse índice a cada semana – ou três dias, no caso dos EUA. Em Porto Alegre, aparentemente a curva deixou de ser exponencial por conta exatamente da quarentena e do distanciamento social bem sucedidos, boa notícia. Mas como diz o biólogo Átila Iamarino, percorreremos um longo e titubeante caminho até chegarmos a outro lugar, a vida como antes se conhecia simplesmente já não existe mais. O jeito é focar no bom comportamento de confinado para chegar do lado de lá maluco beleza, sobrevivente e bem ajustado a um mundo mais biruta ainda.


Abçs, Nei



Fonte: www.worldometers.info

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